IV - A BARCA DE PEDRO: tem a Missão de Navegar pelo Mar da História. IGREJA DE CRISTO - POVO DE DEUS


       Com impulso do coração, sob o fogo do amor cristão, pela fé e na esperança em Jesus Cristo, temos a alegria de partilhar um pouco mais o Mistério que nos envolve, em infinita intimidade,com o nosso próprio Deus, como Povo e Propriedade sua, por ele mesmo escolhidos.

        Mistério de Deus para nós não se deixa amarrar ou prender-se dentro dos limites e meandros de nosso alcance de entendimento ou compreensão, vai além, até sumir de vista. Este mistérionão cabe em nenhum esquema de qualquer doutrina religiosa ou planilha de elevados estudos científicos articulados. Quando Cristo afirma "ninguém vai ao Pai senão por mim!", está definindo isto.

       A Sagrada Escritura, quando nos define como Imagem e Semelhança de Deus, também nos confirma como um profundo Mistério de sua obra. Na verdade, por mais que nos sintamos em nós mesmos, não conseguimos nos conhecer, de forma inesgotável, como e o que realmente somos.

      A complexidade que nos identifica na Obra da Criação nos dá uma originalidade sem par: somos seres de completa abertura ao diferente, ao outro, ao mundo, ao universo e sumamente a Deus, independente do nosso concurso ou não. Na verdade, nós somos um projeto infinito que sonha e busca o infinito, aprendendo com o viver, a descobrir quem realmente somos, para que somos, de onde viemos, para onde vamos, e por aí afora. Afinal, nós sonhamos as nossas inquietantes u-topias, mesmo sabendo que nunca as dominaremos por completo. Um grande sábio afirma que, enfim, nós "somos uma ponte sobre um rio sem margem", ou seja, vamos caminhar e caminhar infinitamente, até morrer, e nunca chegaremos lá. Apesar disso, Deus nos prepara e previne, dando-nos a chance de sermos bem-aventurados, porque há algo em nós que nos torna intrépidos, corajosos e "teimosos", ao ponto de, mesmo cientes de tanta fragilidade, não desanimamos, não fugimos e vamos em frente: há um Sol que nos aquece, uma estrela que nos guia, uma voz que nos convoca a um eterno e definitivo encontro. Esta é a nossa dignidade em plenitude, o nosso destino sonhado, a nossa angústia mais profunda e, sem dúvida, a certeza da nossa eterna realização como humanos.