V - A BARCA DE PEDRO: tem a Missão de Navegar pelo Mar da História. IGREJA DE CRISTO - POVO DE DEUS  

        

     Estendendo um passo a mais, para além dos limites que encerram a nossa última reflexão sobre esta transcendental "Odisséia de nossa travessia por este mundo, em busca das margens de nossa eterna Redenção", repasso, em escrito, esse ato de fé, a reflexão originada pela mente e o coração de meu irmão, Sacerdote Capuchinho, de saudosa memória, Frei Prudente Lúcio Nery, concluindo o nosso relato anterior da Barca de Pedro:

"QUANDO CHEGA O INVERNO, SEM QUE NINGUÉM OS INSTRUA, OS PÁSSAROS ERGUEM-SE ESPONTANEAMENTE AOS CÉUS, EM INCRÍVEL AVENTURA. CONDUZIDOS POR UM MISTERIOSO LEGADO DE SUA ESPÉCIE, SEGUINDO APENAS OS PULSOS MAGNÉTICOS DA TERRA, ELES VOAM, PELAS TRILHAS DO SOL, MILHARES DE QUILÔMETROS, NOITE E DIA, À BUSCA DE APENAS PERMANECER NA VIDA. ASSIM HÁ DE SER TAMBÉM CONOSCO, QUANDO, NO CREPÚSCULO DE TODOS OS OUTONOS, CAIR SOBRE NÓS O FRIO DO INVERNO. CARREGADOS ENTÃO PELO FASCINANTE DESTINO DE NOSSA ESPÉCIE, NÓS VOAREMOS, SEGUINDO APENAS OS ACENOS DA ETERNIDADE, RUMO À MORADA DA LUZ, O CORAÇÃO DE DEUS. E AÍ SABEREMOS O QUE, AGORA, APENAS INTUÍMOS E, OUVINDO JESUS CRISTO, O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA, CREMOS: NÃO EXISTEM DOIS REINOS, O REINO DOS MORTOS E O REINO DOS VIVOS, O REINO DA TERRA E O REINO DOS CÉUS, MAS APENAS O REINO DE DEUS QUE QUIS QUE FÔSSEMOS ETERNOS!"

      Ouvindo os sagrados místicos, pesquisando os grandes mestres do pensamento da verdade original, mergulhando nas águas mais profundas da Fé, focando o nosso olhar no eixo das questões que nos fascinam e pinçando para o consumo da nossa consciência cristã o resultado correto, justo e veraz disto procurado, percebemos, com firme clareza e honesta reflexão, que uma das grandes obras do Espírito Santo foi não ter deixado morrer, no bojo das culturas humanas, a U-TOPIA, o sonho, o Projeto de Jesus de Nazaré, o real significado do Reino de Deus. O Espírito Santo reanimou os Apóstolos desconsolados, como vemos nos discípulos de Emaús (Lc 24,20-24). Foi o Espírito Santo de Deus que veio e preencheu este vazio, gestando e gerando comunidades que se propõem, convictamente, seguir Jesus e tentar estabelecer e concretizar o Reino de Deus no chão deste mundo.

    O Projeto de Jesus, inspirado pelo eixo fontal do reino de Deus, foi assumido pela Igreja de Cristo, cuja sagrada descrição foi registrada no Código da História do povo de Deus, a Bíblia Sagrada, no aparte onde aparece o Livro Atos dos Apóstolos, que pode também ser chamado de "O Jeito ou o Modo de ser Igreja, gerado e não criado, dinamizado e não inventado, consubstancial ao Cristo, Bom Pastor (João 14,6; 15,5). E, de lá para cá, esta tem sido a luta da Igreja, dentro da realidade do mundo, de sua história, de seus desafios, de seus avanços, de suas conquistas, de suas vitórias e derrotas, perante as limitações e as emergências que demandam e afetam as ingerências da Natureza sobre todo o Universo. E nós não temos para onde ir, nem tocas e nem cavernas para nos escondermos. Ou lutamos e assumimos tudo isso ou... lutamos e assumimos tudo isso... ou lutamos e assumimos tudo isso... "Pior ainda: tem que ser dentro da "fervura", porque "Vós sois o sal da terra"(Mt 5,13); porque "Vós sois a luz do mundo"(Mt 5,14); porque "Vos sois o fermento na massa"(Mt 13,33).

    Jesus Cristo envia a sua Igreja com a consciência aberta e elucidada sobre os riscos e desafios, com a seriedade que essa demanda supõe e assume: "Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos. Sede simples como os pássaros, mas espertos como as serpentes"(Mt 10,16). E assim tem sido a postura da Igreja de Cristo, em todos os tempos. Também hoje ela não ignora a seriedade da sua Missão. O Papa Francisco que o diga..... Amém!